A importância da leitura na construção de vínculos entre mães e filhos

Mãe e filho lendo no evento Festa das Leituras 2017.

Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe. Essa dupla transformação que acontece entre dois seres que durante alguns meses foram a mesma pessoa é sempre uma experiência de aprendizado intenso para ambos. Uma experiência que muda tudo.

Embora tenham sido próximos durante todo o período de gestação, a construção do vínculo entre mãe e bebê é algo que vai sendo desenhado – como em qualquer outra relação – na convivência, na troca de afetos e na descoberta de um amor  que vai sendo demonstrado no dia a dia, em pequenos gestos que começam a ser incorporados à rotina. A amamentação, o embalar para o sono e até mesmo as cantigas inventadas e outras que vão sendo relembradas: tudo é alimento e aconchego para esse novo ser que acaba de chegar e para essa mulher que agora incorpora mais um papel social: o de mãe.

Segundo a última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, a figura da mãe é muito importante no desenvolvimento do gosto pela leitura, especialmente quando comparada à influência do pai ou de algum parente. Outro dado importante relatado na pesquisa é que as mulheres passam mais tempo na escola e compram mais livros que os homens. Talvez isso explique porque a influência da mãe se faça mais presente. Mas, isso não significa que os demais membros que fazem parte da família também não sejam importantes. A Taba acredita que para formar leitores, é preciso uma aldeia. Uma aldeia de pessoas que apostam no poder da palavra e que amorosamente dedicam tempo e presença para compartilhá-la com as crianças.

Maurice Sendack, famoso escritor norte-americano, dizia que as pessoas que tiverem na infância a experiência de viver momentos em que seus pais lhe dão colo enquanto contam ou leem histórias sempre associarão a experiência de leitura a esse contato. E para ele, essa é uma ligação que dura a vida inteira.

A  Taba também acredita que a leitura é um elemento fundamental na construção de vínculos entre adultos e crianças. As palavras oferecem colo e contorno, estabelecem limites e dão voo à imaginação.  São as vozes dos pais as primeiras que apresentam o mundo aos pequenos desde cedo, mergulhando-os em um banho de linguagem carregado de afeto. Histórias reais ou inventadas, dos livros ou da vida – tanto faz. O importante é que elas sejam motivadas por um desejo genuíno de estar perto, de compartilhar, de oferecer um presente que permanece na memória e no coração para sempre.

Pode ser na barriga durante a gestação, enquanto amamenta, na cama antes de dormir, dentro do carro em uma longa viagem, nos momentos de banho, de troca de roupas ou mesmo nas férias deitados na rede. Não existe hora certa para ler, cantar e contar com as crianças. Fundamental mesmo é que haja desejo de estar junto.

E não podemos deixar de lembrar que essa experiência é importante não só para as crianças, mas também para as mães que descobrem na linguagem um caminho de conexão com seus pequenos. Os livros, as histórias e as cantigas são alimento para o imaginário dos adultos e contribuem para que conversem não apenas com seu filhos, mas também com a criança que um dia foram. E esse diálogo talvez seja uma dos grandes presentes que a maternidade e a paternidade nos oferecem.

Nesse dia das mães, desejamos que todas as mulheres e as pessoas que escolheram acompanhá-las na jornada da maternidade tenham a oportunidade de viver experiências de leitura significativas com seus filhos. Que os livros e as palavras estejam presentes na vida da família como a comida, as roupas e os brinquedos. Afinal, quando nasce um bebê, nasce uma mãe e uma família. E talvez, possa nascer também uma comunidade de leitores.

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Para ver nossa seleção de livros que celebram a relação entre mães e filhos, clique aqui.

Ilustrações de María Pascual de la Torre (livro Selou e Maya: Maya e Selou, Edições SM) e de Mariana Ruiz Johnson (livro Mamãe, editora Livre Conteúdo e Cultura).