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Talvez

capa_Talvez_143Talvez

Autor (a): Guido van Genechten

Ilustrador: Guido van Genechten

Tradutora: Lavínia Fávero

Editora: Editora Positivo

 

Resenha

Desde cedo, as crianças estão sempre observando o seu entorno cheias de perguntas sobre a vida e o universo. E muitas vezes, cercam os adultos com questões para as quais uma boa resposta possível possa ser dada por meio da expressão “talvez”.

Este é o jogo proposto por Guido van Genechten nesse livro que trata de temas profundos de uma maneira leve e divertida.

A partir das cores primárias e de algumas formas básicas, o autor cria diferentes imagens, ajudando-nos a refletir sobre a origem e o destino de tudo que existe.

No final, somos surpreendidos pela simplicidade das possibilidades imaginadas por ele e encerramos a leitura cheios de novas perguntas.

Afinal, e se…?

(Resenha produzida pela equipe A Taba, especialmente para o exclusivo Mapa de Exploração da obra.)

Como foi a nossa leitura?

Quando vi que esse era o livro do mês de julho na estante A TABA, pela ilustração da capa e pelo autor logo pensei que fosse um livro muito interativo. Não deixa de ser, como também são outros títulos do Guido van Genechten, como O que tem dentro da sua fralda e a coleção “Qual é diferente”. Mas muito mais que interativo, é um livro, divertido, imaginativo, filosófico.

O livro trabalha com cores e formas. Apresenta o amarelo, o vermelho e o azul, que se transformam em triângulos, círculos e quadrados e dão origem a pedacinhos, de mesma forma e que podem constituir diversas coisas. O autor não dá nome a nenhuma delas, apenas sugere que talvez, tudo seja feito desses pedacinhos…..e aí vale o que a imaginação puder alcançar pela observação das ilustrações, formadas com quatro pedacinhos de cada forma geométrica em cada uma das páginas do livro.

Como o Eduardo já conhecia as formas apresentadas no livro, a experiência de leitura por aqui foi bem interessante. Quando ele era menor e estava aprendendo a caminhar, comprei feltro de três cores diferentes e recortei círculos, triângulos e quadrados pra ele colar num papel tipo contact fixado na parede da nossa cozinha. Deixava as formas no chão, então ele as pegava e colava na parede. Meu papel era nomear cada uma delas pra ele. Vez por outra, falávamos sobre as cores também.

Ao lermos o livro pela primeira vez, de início fomos acompanhando a narrativa e as ilustrações paralelamente. Tão logo percebi que o autor sugeria, mas não nomeava o que os pequenos círculos, triângulos e quadrados formavam, passei a inverter a nossa leitura. Primeiro olhávamos as ilustrações e deixávamos a imaginação correr solta, definir com base na nossa experiência visual o que era aquele objeto, aquela cena, e só depois líamos o texto. Assim, poderíamos descobrir novas possibilidades, para além daquelas que o autor possa ter imaginado.

Foi assim que visualizei uma cadeira de rodas quando o texto sugeria que todas as coisas que andam nos trilhos podem ser feitas desses pedacinhos, denotando a presença de um trenzinho na ilustração. O Eduardo nunca viu uma cadeira de rodas (não que eu lembre ou tenha mostrado a ele) e não percebeu de imediato que a ilustração poderia ser um trenzinho, mas como temos um muito parecido em casa, mostrei a ele, que logo reconheceu.

Eduardo identificou facilmente objetos mais simples, além das formas isoladas, as quais já conhecia e logo nomeou. Disse “uma escada!” ao ver os quatro pequenos triângulos amarelos um encima do outro (eu lembrei de um pinheirinho de natal). Em outro momento apontou “um xis!” como sendo o corpo do bonequinho que corre atrás da bola (já falei nessa letra pra ele quando vemos coisas semelhantes, como por exemplo o “xis” que existe no ralo da pia). Algumas ilustrações serão reconhecidas por ele no futuro, por serem mais complexas. Outras no entanto (assim como as cores), suponho que daqui a alguns dias, ou meses, provavelmente. Imagino que Talvez será lido e relido ainda muitas vezes, tanto pelo Eduardo, que terá outras leituras a partir das novas experiências que ele vivenciar quanto por outras crianças, de idades diferentes da dele que também poderão conhecer esse livro em nossa casa.

Ainda, nestas férias quando li esse livro para o Eduardo e para minha sobrinha Bárbara, de 7 anos, foi curioso ver que assim como eu, ela também visualizou uma cadeira de rodas primeiramente. Então mostrei a ela que poderia parecer também um trenzinho. Entendi que as ilustrações seguem muito importantes mesmo quando a criança já encontra-se em fase de alfabetização. Para as crianças, a ilustração é o texto, a história propriamente dita. E para elas, livros como Talvez, funcionem também (ou muito mais) como um livro álbum, principalmente se a criança ler o livro sem a presença de um adulto. A leitura feita por um adulto enquanto a criança ouve e observa as ilustrações também favorece a que ela conecte mais facilmente a narrativa às ilustrações.

Percebi o quanto é interessante ler para crianças de diferentes faixas etárias ao mesmo tempo e quanto primorosa pode ser essa experiência pois podemos aprimorar nossa mediação.

Bárbara também nomeou muitas outras ilustrações do livro (passarinho, patinho, foguete, satélite…..) e foi um rico momento porque o Eduardo presenciou a visão da prima sobre as ilustrações, ao observar e ouvir atentamente suas falas e expressões a cada página. Imagino que com crianças maiores, a incitação que o texto provoca ao sugerir que talvez todas as coisas, plantas, animais e pessoas voltem a ser aqueles pedacinhos quando morrer possa gerar muita conversa sobre, por exemplo, de onde viemos e para onde vamos.

E aí, você está preparado para esta conversa?

Prêmios ou Indicações

Talvez foi eleito um dos títulos “arrebatadores” no Destaques Emília 2015. A categoria arrebatadores elenca títulos que se destacam acima da média. Talvez também recebeu o selo Altamente Recomendável FNLIJ 2015. Livros Altamente Recomendáveis são os títulos que compõem a lista final para a escolha dos vencedores ao Prêmio FNLIJ da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

 

Talvez  foi o livro enviado aos assinantes leitores bebês do Clube de Leitores – A Taba no mês de julho.
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