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Quem lê? Isadora Freire e a Associação Viva e Deixe Viver

A bibliotecária Isadora Freire gosta tanto de histórias que há seis anos resolveu encarar seu medo de hospitais e se tornou voluntária da Associação Viva e Deixe Viver. Ela leva até crianças hospitalizadas os livros que selecionamos para Clube de Leitores A Taba e percebe que a leitura é um ótimo remédio!

Confira em nossa conversa algumas dicas de livros, como é o trabalho voluntário de contação de histórias em hospitais e saiba como colaborar:

A Taba: Quando você era criança, costumava ler ou ouvir histórias de livros? Quem fazia os livros chegarem até você?

Isadora: Quando eu era mais criança (porque ainda sou um pouco criança…rs), minha mãe sempre lia a história do Bonequinho Doce e da Bonequinha preta e eu ficava imaginando as cenas. Meu pai também incentivava a leitura, fez uma assinatura dos gibis da Turma da Mônica para mim, mas nunca me interessei muito por gibis. Eles chegavam em um pacote, mas eu achava que vinham muitos gibis de uma vez, não dava conta de ler tudo – e eu mesma me pressionava para ler todos e aos poucos vi que não lia nenhum. Não posso ter muita oferta ao mesmo tempo, fico um pouco perdida e pressionada (eu mesma me cobro isso).

A Taba: E hoje, por quê você lê?

Isadora: Eu leio para me divertir, para observar as imagens e admirar o talento dos autores e ilustradores.

A Taba: Para você, o que é mais interessante nos livros infantis e juvenis?

Isadora: O mais interessante é a forma que o autor e o ilustrador encontram para chegar até a criança. Isso às vezes me dá um nó na cabeça e até me deixa na dúvida se tais livros são para crianças ou para adultos. Penso se as crianças estão entendendo o mesmo que eu e se existem outras possibilidades de entendimento da obra. Também fico pensativa sobre como apenas poucas palavras, ou nenhuma, conseguem passar tantas informações e ideias num livro.

A Taba: Consegue escolher até 5 livros favoritos? Conte porque gosta tanto deles.

Isadora: Depois que conheci A Taba minha lista de favoritos mudou.

O livro que sempre me acompanha para contar/ler é “Max, o corajoso“, do Ed Vere. Ele encanta crianças, jovens e adultos. Além de provocar risadas, fala de coragem e de medo também. Adoro livros que falam sobre nossos medos.

Outro livro que eu adoro é “Presos“, do Oliver Jeffers. É inesperado que faz aquela pessoa que não queria ler ou compartilhar uma leitura ficar rindo do impossível.

Amei o livro “Doze reis e a moça no labirinto do vento“, da Marina Colasanti, porque são vários contos que me fizeram refletir sobre muitos assuntos pessoais.

Gosto muito de um livro que o José Saramago escreveu para crianças, “A maior flor do mundo“, que  também deu origem a um curta metragem com a história.

Escolhi “Cantarim de cantará“, da Sylvia Orthof, para fazer um trabalho e me encantei com a história que remete a outras histórias brasileiras. As ilustrações da Mariana Massarani também ajudaram na escolha da obra.

A Taba: Por que você entrou na Viva e Deixe Viver?

Isadora: Em 2011 participei de uma oficina sobre leitura dialógica na Universidade de Brasília e fiquei encantada pelo trabalho. Depois fiquei pensando que fazer um trabalho voluntário nos hospitais também poderia me ajudar com o medo que tenho de ver agulhas e sangue. Participei do treinamento para novos voluntários e até hoje estou por lá, superando meu medo de entrar em hospitais e ao mesmo tempo lendo e aprendendo com as crianças, com a equipe hospitalar e com meus amigos voluntários contadores de histórias.

A Taba: Como é o trabalho dos voluntários da Associação?

Isadora: Aqui em Brasília atualmente somos 80 voluntários atendendo 2 hospitais. Doamos 2 horas por semana ao trabalho voluntário, então temos escalas. Ao final de cada atuação, preenchemos um diário, assim é possível medir a aceitação e a melhora dos pacientes que são atendidos. Isso tudo fica disponível no site, no balanço social da associação. É uma forma de saber o que está sendo feito e quais os resultados isso tem.

A Taba: E como é a reação das crianças aos dias de histórias?

Isadora: Quando uma criança fica internada por muito tempo, acaba recebendo várias visitas dos contadores e conhecendo muitas histórias. Na maioria das vezes, demonstram bastante interesse. Às vezes quem está chorando para de chorar, quem estava desanimado fica um pouco mais risonho e até os pais e acompanhantes também se animam por ter um momento diferente naquele ambiente que às vezes parece frio, sem vida, com muitos aparelhos e poucos sorrisos. Mas também acontece de a criança não estar se sentindo bem, estar com muita dor e até preferir não ouvir uma história. Nos preparamos para esses momentos também.

A Taba: As famílias acompanhantes se envolvem com as leituras?

Isadora: Como atuamos somente nas pediatrias, as crianças estão, na maioria das vezes, acompanhadas. Alguns pais querem ouvir as histórias até mais que as crianças. Outros acham que a criança não entende porque é muito bebê, ou porque está sedada, ou porque tem alguma deficiência. Mas quando os pais estão receptivos para esse tipo de ação, eles leem, pedem para os filhos guardarem os celulares, desligam a TV e participam da contação de história, da música, da adivinhação, do jogo. Quando saímos é possível perceber que o clima fica diferente, a energia também muda, a atenção para o filho muda. A leitura é um ótimo remédio!

A Taba: Você pode contar alguma experiência marcante das leituras feitas em hospitais?

Isadora: Costumo contar histórias com uma dupla, assim um ajuda o outro (minha dupla também já se tornou assinante da A Taba!). Um dia estava sozinha, mas até que bem segura – eram poucas crianças internadas e todas pareciam estar relativamente bem. Uma enfermeira me chamou e me pediu para contar histórias para uma menina enquanto ela trocava os curativos. Eu disse que iria, mas fiquei pensando se conseguiria, pois às vezes passo mal ao ver sangue ou procedimentos que podem doer muito. A criança estava com muitos curativos pelo corpo e vários pinos saindo (ou entrando) em sua perna.

Comecei a ler um livro. A menina demonstrou muito interesse. Eu pedia para ela olhar sempre para o livro (e também falava isso para mim mesma). Sei que de um livro passei para outro e mais outro… Achei que acabariam as histórias, mas depois de uma hora a enfermeira concluiu o trabalho, sorriu e quando eu estava indo embora me disse “Eu nunca tinha feito um procedimento tão demorado e dolorido sem a criança chorar!”. Eu quase chorei nessa hora. Mas me senti bem por ter colaborado com o trabalho dela, por ter contribuído com a cultura daquela criança e principalmente porque pude transformar aquela uma hora em um momento menos dolorido.

***

Para saber mais sobre a Associação Viva e Deixe viver acesse o site, onde também é possível se inscrever para voluntariado e fazer contribuições: www.vivaedeixeviver.org.br

Desde 2015, Isadora Freire recebe os livros do Clube de Leitores A Taba gratuitamente para que ela e outros voluntários possam fazer o seu trabalho em hospitais de Brasília. Parte do valor das assinaturas do Clube de Leitores A Taba é revertido para projetos como esse.

Foto: Agência Brasília



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