O mercado editorial de livros infantis e juvenis no Brasil

Em 28 de janeiro retomamos os bate-papos da Taba em grande estilo falando sobre o mercado editorial de livros infantis e juvenis.

Quais os principais desafios de um editor desse segmento? Que critérios permeiam a definição de uma linha editorial? Como promover a divulgação e garantir a venda de livros no cenário da crise atual?

Para conversar sobre essas e outras perguntas, escolhemos três convidadas especiais: as editoras Daniela Padilha, Isabel Coelho e Márcia Leite.

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Daniela Padilha é é formada em Letras pela USP e especialista em livros pela UNESP. Depois de trabalhar para grandes grupos editoriais, abriu sua própria casa, a Jujuba, editora especializada em livros para a infância de todas idades. Nela, compartilha seu olhar sobre a infância e os livros ilustrados.

Isabel Lopes Coelho é editora especialista em literatura infantil e doutoranda na área pelo departamento em Teoria Literária e Literatura Comparada na Universidade de São Paulo. É responsável pelas obras de literatura no departamento de Projetos Especiais, Literatura e Paradidáticos na editora FTD Educação. Foi diretora do Núcleo Infantojuvenil da editora Cosac Naify, por onde trabalhou durante doze anos.

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Márcia Leite é sócia-fundadora e diretora editorial da Editora Pulo do Gato, uma casa editorial independente que tem conquistado leitores e prêmios com seu catálogo. Em 2016 comemora 30 anos de profissão como escritora de livros para crianças e jovens, tendo vários livros publicados por diversas editoras, alguns deles premiados e integrantes de programas governamentais e institucionais. Foi professora e assessora pedagógica da área de Língua Portuguesa e  hoje atua como consultora na área de leitura e literatura.

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A mediação ficou por conta de Denise Guilherme, idealizadora da Taba. Mestre em Educação, formadora de professores e consultora na área de projetos de leitura. Desde 2013, dedica-se ao serviço de curadoria, lendo, selecionando, divulgando livros infantis de qualidade e reunindo gente bacana para conversas como essa.

Infelizmente, por problemas que ainda não conseguimos identificar, o evento não foi transmitido ao vivo.

A boa notícia é que a conversa ficou gravada e você poderá assisti-la clicando no vídeo acima ou pelo nosso canal no Youtube.

 

Agradecemos a participação de todos que nos enviaram perguntas e comentários e pedimos desculpas pelo problema técnico.

Um grande abraço!

Crédito das imagens: Daniela Padilha (Divulgação), Denise Guilherme (Gabi Trevisan), Isabel Lopes (Gazeta do Povo) e Márcia Leite (Divulgação).




Participe da conversa!

Assisti ao bate-papo (ótima ideia, por sinal), mas fiquei com umas questões martelando na cabeça.

Na verdade, elas vêm de algum tempo, desde que comecei a entender melhor o mundo das editoras e testemunhar quantas obras e edições de qualidade são produzidas anualmente no Brasil, sobretudo para o público Infantojuvenil.

E eu sempre vejo os editores fazendo a mesmas reclamações: falta formação de leitores. O Brasil ainda não coloca a Literatura como essencial. Os professores não estão preparados para lidar com os livros de qualidade que chegam até eles.

OK, tudo isso é verdade. Mas também não é novidade para ninguém. Principalmente para quem decide abrir uma casa editorial.

Então eu vejo os editores reclamando que o público é pequeno, que o Governo não investe nisso e naquilo… Mas não os vejo oferecer soluções para esses problemas.

O mercado é pequeno. Certo. Como faço para ampliá-lo? Cadê as feiras nas escolas, os estandes nas pracinhas, as ações de MKT, as visitas às editoras, as parcerias escolares, os concursos literários, a pressão por programas de incentivo à leitura, as prateleiras em escritórios e shoppings?

Se eu tivesse uma casa editorial, apostaria minhas fichas em fazer os livros (não só os meus) circularem pelo maior número de espaços possíveis, para serem tocados, consumidos e, enfim, naturalizados.

Os professores não têm formação adequada? Correto. Então cadê as oficinas para treinamento de sua sensibilidade? E as palestras para as escolas? Imagina "Editora Pulo do Gato apresenta – Circuito Literário das Escolas de São Paulo"…

Mas essa não é a função da editora, dirão. E eu respondo: Certo, mas então não reclamem da falta de preparo das escolas para receber o seu material. Continuem com uma fatia minúscula do mercado. Sigam vendo o público tratar os livros como bens secundários. Etc, etc.

Percebo a paixão pelo ofício, o respeito aos profissionais envolvidos, o carinho pelo objeto livro, trabalhado em edições lindas e imaginativas.

Só que infelizmente o esforço acaba aí. Por pouco não vira um " morrer na praia", porque as editoras elaboram edições e guias de estudos que sequer serão lidos, a maioria dos livros extraclasse inclusive terminam odiados pelos alunos.

Por que a própria editora não faz a ponte entre o livro obrigatório e seus leitores? Convidem o autor (ou alguém entendido no assunto) para palestrar, para fazer uma oficina criativa, para dar uma aula aos professores sobre o livro que escreveu e o modo como pode ser trabalhado.

Enfim, acho que ainda está faltando empreendedorismo. Muito já foi feito, mas ainda há muito a fazer. Até porque sabemos que de pátria educadora o Brasil não tem nada. Esperar por programas governamentais que de fato resolvam a questão da Literatura no Brasil é quase como esperar uma chuva de diamantes. Não tem jeito. É preciso botar (ainda mais) a mão na massa.

Bom, é isso.

Perdoem se me estendi demais, ou se fui demasiado otimista (ou pessimista,como queiram). Deve ser um sintoma da entrada de uma publicitária no mercado editorial haha.

A todas as envolvidas no bate-papo, obrigada por dividirem seu conhecimento e experiências.

Toda sorte (e coragem) a vocês.

Atenciosamente,

Ana

A Taba disse:

Caros, transmitimos ao vivo o bate-papo, mas por um problema que ainda não conseguimos identificar, o Google não permitiu a visualização.Pedimos desculpas pelo problema. A conversa está disponível no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=1Bkx6rhUXU0
Um abraço

Uma pena mesmo. Filmaram o bate-papo?

Denise Guilherme poxa, que pena! Tomara que dê certo a filmagem.

A Taba disse:

Nicolle Bizelli estamos com problemas de transmissão. Não conseguimos identificar a causa.
Estamos torcendo para ser gravado. Logo mais damos notícias.

A Taba disse:

Nat Catuogno Consani , estamos com problemas de transmissão. Não conseguimos identificar a causa.
Estamos torcendo para ser gravado. Logo mais damos notícias.

Estamos, Fátima. O bate-papo está rolando, mas a transmissão ao vivo, não.
Não conseguimos identificar o problema. Estamos torcendo para ser gravado.

Nicolle Bizelli na página no face, explicaram, há 3 minutos, que estão com problemas de transmissão. estão tentando resolver.

Irão disponibilizar depois?

Saulo Dourado disse:

É uma pena mesmo. Está pelo menos sendo filmado? Gostaria de ter acesso ao bate-papo, nem que seja depois em arquivo de vídeo.

Nicolle Bizelli pois é, ainda nada por aqui também. deve ter dado algum problema técnico. acho que não rola mais…

Maria Amelia disse:

também não vejo nada…

Oi Denise Guilherme, estão com algum problema por aí?? Estou aguardando o início.

A Taba disse:

Estamos com problemas na transmissão. O bate-papo está acontecendo, mas não está sendo transmitido.

vai ter mesmo a transmissão?
estou conectada desde 20h55… já são 21h18.
alguém está conseguindo ver?
obrigada!

Borá lá!
Cadê a transmissão?

Para mim também não…

Oi gente, já estamos conectados! Pra mim ainda não está aparecendo.. Já começou por aí?

Ótima iniciativa! Estarei ao vivo acompanhando! Minhas dúvidas são: 1) Ontem ou anteontem, a SNEL e a Nielsen divulgaram os números do mercado livreiro do ano passado (na comparação com 2014). Deflacionando o valor, houve retração de 7% nas vendas. A participação dos infantis e juvenis no faturamento total manteve-se estável (pequena queda de -0,8%). Mas o mercado de livros para crianças parece mais promissor agora do que há alguns anos. Apesar dos números, qual a avaliação de vocês a respeito? 2) Pedro Bandeira disse uma vez, durante uma entrevista, que acha que um dos grandes problemas da formação de leitores no Brasil é que essa acaba sendo uma responsabilidade apenas da escola, que as famílias, em geral, pouco participam do processo e pouco oferecem aos filhos além daquilo que a escola "obriga" a ler. O que pode ser feito para estimular não apenas as crianças (para as quais basta uma boa história), mas essencialmente os adultos? 3) Sou jornalista, trabalho também com e para crianças e, entre alguns projetos, acompanho o dia a dia de algumas escolas de educação infantil. O que noto, o que observo é que as crianças são sempre muito atraídas para a boa literatura, para a história bem narrada, para as ilustrações que falem à sensibilidade delas. Por outro lado, muitas vezes as escolas e os profissionais da infância não são preparados para selecionar bons livros, para montar uma biblioteca, para narrar as histórias. Ao contrário, em muitas escolas, a literatura (e outras formas de artes) sequer são tema, sequer são contempladas, ainda que marginalmente. Conto nos dedos as escolas infantis que visitei e nas quais havia ao menos uma biblioteca ou livros disponíveis. De que forma vocês imaginam que essa questão possa ser enfrentada, seja pelas editoras seja pela própria academia, pelos espaços de formação de professores? 4) Qual é o papel das bibliotecas públicas e os espaços de leitura (como o recém-inaugurado no Ibirapuera e mesmo o do Parque da Água Branca) na formação de leitores e no mercado de literatura infantil?

Abraços e até mais.

Bom dia, tenho um projeto que denomino biblioteca aberta, onde disponibilizo livros para todas as idades em minha própria residência, gosto muito de ler e acredito que a leitura é a maneira mais eficaz de aprendizagem para a vida. Gostaria de alguma parceria para alugar um espaço apropriado para roda de leitura e onde as pessoas pudessem ficar mais a vontade para escolher o livro que quer ler. sou de Cachoeiro de Itapemirim ES
meu contato adorigo7@hotmail.com
curriculo lattes: Ana Cistina da Costa Araujo

Sou de Marabá, no Pará, e estamos vivendo um momento de efervescência literária muito bom. Diversos autores estão publicando e realizando belíssimos lançamentos. Mas existe um nó: como formar leitores para esses milhares de livros?
Outra questão que gostaria de colocar é a seguinte: por quê o Norte não é tão visível literariamente? O Pará também é Brasil, sabiam?
O sul e sudeste monopolizam a mídia e a divulgação literária, o que nos causa enorme desgosto.
Abraços.
Evilangela Lima
Brasileira de Marabá no Pará.

Seria interessante ter um jeito de avisar algumas horas por email, assim ninguém esquece a data. : )

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