Menino de engenho

Menino de engenho

Escrito por: José Lins do Rego
Editora: José Olympio
Ano de lançamento: 2010

Resenha

Em Menino de engenho, entramos em contato com a trama de recordações do garoto Carlinhos, constituindo um acúmulo de experiências e emoções delas decorrentes que lhe antecipam a maturidade. As dores da infância são acentuadas pelas perdas significativas das pessoas que ama: a morte trágica da mãe, o afastamento compulsório do pai. Em decorrência desses que são os primeiros acontecimentos narrados, ele vai morar em outra fazenda, na companhia do avô. Nesse novo espaço irá travar novas relações, fraternas ou sensuais, configurando uma formação rica e complexa, às vezes dirigida pelo avô e pela bondosa Tia Maria, noutras espontâneas, vividas intimamente e na clandestinidade. Os dramas locais são testemunhados e sentidos, desde os rotineiros, como os passeios na companhia do avô, aos excepcionais, como os decorrentes de uma furiosa enchente que rebenta e agrava a vida da já sofrida gente que mora na fazenda. Há também momentos de encantamento, como nas passagens em que se excita ouvindo as histórias de Totonha ou das velhas escravas do engenho, ou ainda quando é atingido pelo amor, ainda que experimentado em sua forma platônica. O romance de José Lins do Rego é rico em imagens de épocas e espaços remotos que o escritor alagoano conhecia profundamente, portanto ricamente revestidas de um lirismo saudosista.

Trecho do livro

“E era com olhos de deslumbrado que olhava então aqueles sítios, aquelas mangueiras e os meninos que via brincando por ali. As divergências de meu pai com meu avô nunca permitiram à minha mãe fazer uma temporada no engenho. Minha imaginação vivia assim a criar esse mundo maravilhoso que eu não conhecia. Sempre que perguntava à minha mãe por que não me levava para o engenho, ela se desculpava com o emprego de meu pai. Daí a impressão extraordinária que me iam causando os mais insignificantes aspectos de tudo o que estava vendo.”

P. 9

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