Onde está o elefante?

Onde está o elefante?

Escrito por: Barroux

Editora:WMF Martins Fontes

Ano de lançamento: 2015

Número de páginas: 32

Traduzido por: Monica Stahel

 

Resenha

 

Buscar um elefante, um papagaio e uma cobra dentro de uma floresta que diminui progressivamente é a brincadeira proposta nesse livro.

Entre desenhos de árvores com diferentes formas e texturas, que remetem a folhas e animais, o leitor encontra dois desafios: localizar os bichos que se escondem nas páginas e refletir sobre o impacto da presença humana no meio ambiente.

De maneira simples e divertida, o autor apresenta os dilemas do crescimento desgovernado das cidades, levando-nos a responder a difícil pergunta: para onde irão seres humanos, as plantas e os animais quando o cinza e o vazio tomarem conta de toda a nossa história?

Como foi a leitura com os bebês?

Nessa obra, o autor conseguiu resgatar uma das brincadeiras que bebês e crianças pequenas mais gostam de brincar, que é o: Cadê? Achou!

Ao longo de minha trajetória buscando histórias que fossem pertinentes e interessantes para bebês, poucas vezes pude experimentar o prazer de ter em mãos uma obra tão bem pensada.  Ao mesmo tempo em que aborda um conteúdo sério e delicado –  como é a questão ecológica –  prioriza também o lúdico, a brincadeira, o despertar da curiosidade, a descoberta e a leitura autônoma (mesmo antes de não se saber ler convencionalmente) dos pequenos.

Com ilustrações coloridas repletas de detalhes, Barroux oferece às crianças que já conseguem desenvolver um discurso oral, por menor que seja, uma valiosa oportunidade de criarem sua própria narrativa.

Diante do interesse geral de ver o livro mais de pertinho, deixei que individualmente pudessem folhear, procurar e se encantar pela busca dos animais escondidos na floresta. O convite feito às crianças de encontrar os bichos camuflados no meio das folhagens, possibilitou-lhes um desafio grandioso e que foi encarado com muita curiosidade. À medida que o final da história se aproximava, foram percebendo que ficava mais fácil encontrar os personagens, pois devido a invasão dos prédios, ausência de árvores, presença de troncos e o colorido se esvaindo em menos cor, tanto o elefante, como a cobra e o papagaio, ficavam mais visíveis e nesta hora, a euforia tomava conta, pois assim, eles conseguiam encontrar rapidinho onde cada um estava e a brincadeira se tornava mais envolvente.

Todos os comentários extraídos da fala das crianças vinham cheios de interesse e carregados de muitas emoções. Olhares curiosos e atentos, semblantes de surpresa, tristeza e alegria e expressões corporais para imitar os personagens.

– Achei você cobra, sua espertinha!

– Achei a cobra e o elefante… Achei todo mundo. Ebaaaa!!!

– Olha só: foram os homens que destruiram!

– Puxa vida! Eles estão indo embora tristes!

– Onde será que vão se esconder dessa vez?

– Agora está muito fácil encontrar o elefante! Você não escondeu direito!

Ao apresentar esta mesma obra para os bebês menores (entre cinco meses e um ano e quatro meses), pude observar que o envolvimento não foi diferente! Enquanto fazia a leitura, cada criança dava vida própria a esta narrativa com ações livres e expressivas, imitando o som de tais bichos e brincado de Cadê? Achou!

E foi assim durante todo o mês: bastava ver a capa do livro e a maioria dos bebês já o identificava, fazendo gestos para esconder o próprio rosto com as mãos ou esticando os bracinhos e abrindo as mãos, como quem diz: Cadê? Sem contar outras cenas registradas que são impossíveis de serem descritas com palavras, mas que dizem muito do quanto a leitura para bebês contribui na aquisição de aprendizagens importantes nesta fase da vida.

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Márcia é pedagoga e atua como educadora de primeira infância há mais de dez anos. Apaixonada por crianças e consciente do seu papel na vida de cada uma delas, traz em sua essência o encanto e prazer por descobertas.

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