Farsa da boa preguiça

Farsa da boa preguiça

Escrito por: Ariano Suassuna
Ilustrado por: Zélia Suassuna
Editora: José Olympio
Ano de lançamento: 2013

Resenha

O mestre Ariano Suassuna oferece em sua Farsa da boa preguiça um elogio ao ócio criador. Para um leitor ingênuo, o texto pode ser apenas um amontoado de tipos caricatos e engraçados do Nordeste, mas para um leitor crítico e experiente, além das gargalhadas involuntárias arrancadas a cada cena, há reflexões profundas acerca do temperamento do brasileiro, desde aqueles que macaqueiam as modas vindas do estrangeiro, como a metida Clarabela, às figuras mais originais, como o poeta Simão e sua incorruptível esposa Nevinha. Farsa da boa preguiça apresenta três atos: “O peru do cão coxo”, “ A cabra do cão caolho” e “O rico avarento”, todas inspiradas em fatos corriqueiros do Nordeste ou nas histórias tradicionais que circulam largamente pela região. O leitor certamente se sentirá intrigado com os questionamentos acerca da preguiça saudável e necessária, quando o indivíduo está sujeito a clarões de ideias e inspirações.

Trecho do livro

“NEVINHA Por que você não deixa a poesia
para as horas vagas e não vai trabalhar?

SIMÃO Agora, já começa a dizer besteira!
[…] Eu vejo esse povo que se mata,
pensando que ser burro de carga
é tudo no mundo:
quando estouram, deixam tudo
e, ainda por cima, perderam a alma
e caem no Fogo profundo.

P. 164