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Quem quer brincar de esconde-esconde?

Desde muito cedo, uma das brincadeiras preferidas das crianças é o jogo de esconde-esconde. Tão logo os bebês começam a estabelecer contato visual, costumam se divertir muito com a “descoberta” do outro, sempre seguida da expressão “Achou!”.

Encantados com a alegria provocada pela brincadeira, pais e mães nem imaginam que essa surpresa diante do outro que desaparece apenas porque teve os olhos ocultados tem explicação científica: até 7 anos de idade, as crianças ainda não possuem estruturas cognitivas que as tornem capazes de perceber a visão que as demais pessoas têm dela. O fato de fechar ou encobrir os olhos as leva a acreditar que os outros também não estão vendo nada. É o que revela essa divertidíssima galeria de imagens de esconde-esconde divulgadas essa semana no Catraca Livre.

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Um dos livros mais bacanas lançados no ano passado no Brasil explora de maneira muito inteligente as inúmeras possibilidades de representação desse jogo infantil tão conhecido.

Esconde escondeEm Esconde-esconde, do japonês Taro Gomi, dois ratinhos iniciam a brincadeira e, logo descobrem que aquele brinquedo que parecia ser apenas deles, na verdade está sendo compartilhado por muitos outros jogadores: raposas, rinocerontes, elefantes, dois gigantes e, até mesmo, o próprio leitor.
O texto, construído a partir de diálogos em uma estrutura de repetição, simula o jogo que dá nome ao livro:  ao esconder-se em um lugar no qual ninguém poderia achá-los (monte de feno, árvore, pedra e montanha), cada um dos personagens, na verdade, é surpreendido por outro que também não quer ser encontrado. A brincadeira está em tentar adivinhar quem será o próximo participante, ou seja, quem está se escondendo de quem.
As ilustrações, construídas a partir de camadas, sobrepõem os personagens, desafiando o leitor, a descobrir  quem é, de fato, o personagem/esconderijo escolhido. Esse jogo com as imagens fica ainda mais evidente no momento em que o primeiro participante é descoberto por seu parceiro de brincadeira. Imediatamente, a cada movimento de página, um dos “personagens-camada” vai sendo encontrado e, com isso, revelando o esconderijo do próximo, sucessivamente.
Chama a atenção também a escolha do autor em trabalhar com a perspectiva, a partir do ponto de vista dos jogadores – do menor para o maior – evidenciando, inicialmente, apenas uma parte do corpo do próximo personagem, para, em seguida, apresentá-lo em sua totalidade, surpreendendo ao seu antecessor e também ao leitor.

Para brincar e jogar com leitores iniciantes.

Autor: Taro Gomi
Tradução: Stéphanie Havir
Editora: Berlendis & Vertecchia Editores
Ano: 2013




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