Entrevista com Cecília Arbolave, criadora da Lote 42 e da Banca Tatuí

O que são editoras independentes e alternativas? O que caracteriza seu trabalho?  Confira a resposta destas e de outras perguntas nessa entrevista com Cecília Arbolave, criadora da Feira Miolo(s). 

Hoje, 11 de novembro na Biblioteca Mário de Andrade, acontece a Feira Miolo(s): um dos principais encontros de editoras alternativas do País.

Uma ótima oportunidade para conhecer livros, fanzines e impressões que transitam entre artes visuais e literatura.

Neste ano,  a feira sobe até o segundo andar da biblioteca e ainda tem a Miolinho(s), uma seção com publicações dedicadas especialmente aos pequenos.

A Taba conversou com Cecília Arbolave, jornalista, criadora da Lote 42 e da Banca Tatuí e uma das responsáveis pela Feira Miolo(s), junto com João Varella e Thiago Blumenthal.

Cecília é jornalista, trabalhou como repórter na Editora Abril, nas revistas Casa Claudia Luxo e Minha Casa, e também colaborou para Bravo! e Viagem e Turismo

Confira alguns trechos do bate-papo:

Taba: O que é uma editora independente ou alternativa?

Cecília: É um termo pouco difícil de definir porque depende um pouco da interpretação de cada um.

Tem editoras grandes que às vezes se consideram independentes.

E sempre surge a pergunta: independente de quê? De vínculos com grandes grupos editoriais? Porque são editoras pequenas?

A gente costuma enxergar como uma editora que não tem vínculos com grandes grupos e grandes empresas. E que tem a liberdade de publicar livros que ela acredita serem bons de serem publicados. E, claro, são menores.

Às vezes é uma micro-editora, formada por uma única pessoa. Às vezes é um grupo pequeno onde várias pessoas fazem diferentes funções.

Aqui na nossa editora, Lote 42, as vezes eu visto a camiseta de produtora gráfica, outras vezes vendedora de feira, outras ainda assessora de imprensa. A gente tem essa flexibilidade que o tamanho da empresa exige.

Mas, é um termo bem complicado..

T: A quantidade de livros publicados também ajuda a definir se ela é uma editora independente ou não?

C: Nem tanto a quantidade, mas o como é feito, né? Não tanto se publica 100 ou 2. Acho que não tem muito como definir.

A gente publica em torno de 6 a 8 livros por ano. Inclusive 2 estão na gráfica neste instante. Isso uma grande editora publica em duas semanas. Mas, isso é o nosso jeito de trabalhar.

A gente demora muito em cada livro. Pensa bem em cada projeto. Vê o melhor jeito de apresentar esse conteúdo e faz outras coisas. Nosso tempo aqui an editora exige que a gente faça essa quantidade por ano.

Para outras editoras do mesmo universo do nosso essa quantidade pode ser muito. Mas, você vê também outras editoras pequenas que também são independentes e talvez trabalhem de um outro jeito e que publicam mais.

Acho que não tem um limite de publicações. Mas, como é encarado o trabalho de edição.

T: Você é uma das criadoras da Feira Miolo(s) – o maior evento de editoras independentes do país – que neste ano está na 4ª edição.  De onde veio a ideia da feira?

C: Para uma editora independente, alternativa e para artistas que se auto-publicam, as feiras são essenciais porque você tem o contato direto com o público. É um momento bem importante de visibilidade, de troca.

Para os leitores é também muito importante, não só porque eles ficam inspirados, mas também conhecem um pouco mais sobre os processos de edição, dos processos gráficos, das escolhas editoriais… De por que imprimir algo em serigrafia ou por que imprimir em off set, por exemplo.

O jeito que a Miolo(s) surgiu foi bem inusitado: em um show dos Racionais, em Buenos Aires.

A gente tinha sido convidado para participar de um estande de São Paulo, que neste ano tinha sido homenageado na Feita do Livros de Buenos Aires. E quem cuidou da curadoria do estande foi a Biblioteca Mario de Andrade.

E nós estávamos no show à noite, e o João Varella, meu sócio, começou a contar para a Tarcila Lucena – que era supervisora de assuntos culturais da Biblioteca na época – que existia todo um movimento crescendo no Brasil  de pessoas que estão criando livros incríveis, desafiando possibilidades. E a biblioteca não pode dar as costas para isso. Ela tem que abraçar essa produção.

(É muito simbólico e especial fazer uma feira dessa na biblioteca. Bonito e especial.)

E aí, a Tarcila concordou e achou muito legal.

A gente voltou de Buenos Aires e poucas semanas depois a gente se reuniu lá e fez a primeira em novembro.

(…)

E neste ano, teremos a Miolinho(s) – que é uma seção dentro da Feira, completamente integrada, que é especialmente dedicada as editoras que produzem para o público infantil.

A entrevista na íntegra pode ser assistida no vídeo abaixo:

 

A Feira Miolo(s) acontece hoje, dia 11 de novembro.

Das 11 da manhã às 11 da noite
Biblioteca Mário de Andrade
Rua da Consolação, 94 – República, São Paulo

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escrito por

Denise Guilherme é Mestre em Educação, formadora de professores e consultora na área de projetos de leitura.
Desde cedo, apaixonada por palavras ditas e escritas. Descobriu nos livros um caminho para entender a si mesma e aos outros. E ficou tão encantada com o que viu que decidiu compartilhar com o mundo.

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