Entre leitores e leituras: Gatos, coelhos e um menino na lata?

imagem.aspxPor que os gatos não usam chapéu

Autora: Victoria Pérez Escrivá

Ilustradora: Ester García

Editora: Livros da Matriz

– Porque não precisam! – respondeu um leitor atento e ao mesmo tempo achando a pergunta muito óbvia.

– Meu pai trabalha, ele usa uma maleta dessa! – comentou uma criança de 3 anos.

Adorei compartilhar essa leitura! Algumas crianças não sabiam o que é “graxa”. Outros já foram logo lembrando que os óculos “são para enxergar melhor!! Outra criança que tem gatos em casa pediu para ver as imagens de perto e disse admirada: “Os desenhos são perfeitos!”

Muitas ideias surgiram, assim como as dúvidas.

Lembramos do livro “A revolução dos bichos” do autor George Orwell, assim como do filme “Planeta dos macacos” do autor Pierre Boulle.

– Gatos não são gente, mas nós também somos animais!  – disse uma criança bem curiosa.

– Claro, nós temos outros hábitos, somos racionais! – explicou o outro colega.

– Este livro está falando sobre o consumismo, que nós devemos ser nós mesmos. – concluiu uma criança do ensino fundamental.

Já a professora refletiu sobre como aproximamos os animais (gatos e cachorros) dos humanos, tratamos como filhos. Além de questionar sobre o que realmente é essencial para viver? Sapato? Roupa? Marcas?

Refletimos muito sobre esta rica leitura, inclusive sobre regras de convivência, e sobre quanto mais você tem, mais você quer.

O que parecia uma leitura simples e para iniciantes, levou crianças e adultos a profundas reflexões.

E por aí? Você também acha que “gato não trabalha, gato dá trabalho”?


 ****

CapaO coelho de veludo

Autora: Margery Williams

Ilustradora: Marcela Fehrenbach

Editora: Poetisa

Quando comecei a apresentar o livro para as crianças de 5 e 6 anos, elas já foram logo lembrando do desenho animado “Doutora Brinquedo”. Eu nem sabia que existia.

Só lembrei do filme Toy Story 3, em que os brinquedos tinham um sentimento muito forte de saudade dos seus donos.

Por diversos motivos esses objetos especiais se separaram dos seus primeiros donos: as vezes são esquecidos em algum lugar e sabemos que, um dia, todas as crianças crescem e perdem o interesse por seus brinquedos de infância.

Uma criança disse que a mãe dela tem uma Barbie linda, que ela não deixa ninguém brincar, que até hoje ela tem os cabelos no lugar, as roupas, os acessórios… tudo lindo! Isso tudo porque a mãe ama de verdade a Barbie que ela ganhou quando era criança.

Então perguntei: “Quem deu essa Barbie de presente para sua mãe?” (Achando que poderia ser a lembrança de alguém que ela achava importante).

A resposta foi rápida: “Não sei, só sei que ela AMA (com bastante ênfase) de verdade a sua boneca até hoje.”

Então lembrei da minha boneca da Estrela (Meu bebê) também está bem conservada, mas está no porta malas do guarda roupas. Lembro até hoje como era difícil dormir com ela na mesma cama, pois os braços não se fechavam, e as mãos de plástico duro me incomodavam. A boneca ocupava metade da cama,  mas eu tinha que dormir com ela porque era minha filha! rs

O Coelho de veludo é realmente “de verdade” porque faz parte do imaginário do menino. Ele nos faz  lembrar a importância do sonho, da imaginação de criança em criar brincadeiras e falas que só acontecem no imaginário delas.

Lembrei da história da boneca do livro “O sonho de Lu Shzu” do autor Ricardo Gómez que lemos em dezembro de 2015.

Adorei resgatar os sentimentos e brincadeiras da infância, além das histórias que minha mãe me contava, quando ganhou sua primeira boneca, quando sua boneca sumiu…

Para amar de verdade é preciso tempo, convivência… E nesse contexto, o tecido pode até ficar desgastado, mas as lembranças são de quando os “conhecemos” pela primeira vez.

E você? Lembrou de algum brinquedo que se tornou “de verdade”?

****

konrad_capaKonrad, o menino da lata

Autora: Christine Nöstlinger

Ilustradora: Annette Swoboda

Editora: Biruta

“Meu amor, que leitura divertida!”

Para quem tem filhos deve ter se lembrado de várias vezes que pediu que o filho fosse mais obediente, seguisse as regras… Para quem não tem filhos deve ter imaginado que o Konrad é o filho perfeito mas não existe de verdade.

Eu, particularmente me vi na pele da Dona Bartolotti! Muitas vezes o senhor Egon me irritou com seus comentários. As respostas prontas do Konrad me deixava inquieta e insatisfeita.

Quero deixar claro que não tenho filhos humanos, mas já convivi com muitos filhos de outras pessoas, crianças, adolescentes e adultos. Também ajudei a cuidar da minha irmã mais nova. Além do trabalho em ambiente escolar (crianças de 4 meses a 17 anos).

Juro que as palavras que a autora listou como insuportáveis também combinam comigo: devidamente, bons modos, séria, regularmente, finalidade, conveniente, dia a dia, instrutivo, decente, decência, hábito, dona de casa, adequado e devido. (Pronto, falei!)

Realmente a autora Christine Nostlinger é merecidora de tantos prêmios literários! A maneira divertida como constrói sua narrativa, dando voz à criança como alguém que questiona as regras vigentes é realmente libertadora! Suas palavras de discordância com algumas regras de convivência me representam!

avatar

escrito por

Bibliotecária apaixonada por literatura infantil, atua em biblioteca escolar de ensino infantil e fundamental I em Brasília.
Voluntária da Associação Viva e Deixe Viver.

gostou? compartilhe!

comente pelo facebook
3 Comentários

deixe seu comentário