A Cosac Naify e seu legado para cultura do livro e da infância no Brasil

Ousada e com uma equipe editorial de alto nível, a Cosac Naify encerra suas atividades deixando um legado que permanecerá na memória da literatura infantojuvenil brasileira.

Nessa semana fomos surpreendidos pela notícia do fechamento da Cosac Naify. Talvez surpreendidos não seja a melhor palavra, já que o cenário do mercado editorial nesse ano não foi dos mais favoráveis para grande parte dos atores da cadeia produtiva do livro…

Desde a sua fundação em 1997,  a Cosac se destacou no mercado de livros de Arte e Ciências Humanas editando estudos acadêmicos e publicando títulos que, até então, só eram acessíveis em outros idiomas, tornando-se referência nessas áreas. Além do design e acabamento primorosos – que se tornaram uma marca registrada do selo – a qualidade do catálogo e a clareza da linha editorial sempre chamaram a atenção daqueles que amam bons livros.

Para nós, da Taba, que defendemos o direito à literatura e ao mundo construído a partir da palavra escrita, o fim das atividades de uma editora da qualidade da Cosac representa uma grande perda para a cultura da infância em nosso país.

Seus títulos fazem parte da memória leitora de crianças, jovens e adultos que foram despertados pela palavra e pelo poder da Arte por meio de obras sensíveis, inteligentes e que, acima de tudo, nunca subestimaram a inteligência do leitor.

image-2Impossível não reverenciar a publicação em português de livros de referência na literatura infantil, como a obra-prima  Onde vivem os monstros de Maurice Sendack, a qual teve 17 mil exemplares vendidos em sua primeira edição e a trilogia da coreana Suzy Lee – Espelho, Onda e Sombra – cujo trabalho é conhecido e premiado em todo mundo. Também foram eles os responsáveis por trazerem ao público alguns dos livros ilustrados mais fantásticos já produzidos no Brasil, como Lampião e Lancelote de Fernando Vilela, com mais de 55 mil exemplares vendidos até hoje, e a reedição da obra-prima Cântico dos Cânticos de Angela Lago. Números e projetos como esses, em um país que dá seus primeiros passos em direção à formação de uma nação leitora, revelam não somente o caráter visionário da editora, como também a sua relevância na formação de um mercado consumidor de cultura.

Projetos gráficos ousados que envolvem todos os sentidos do leitor em livros como Ismália, Superzeróis, Na floresta ismalia1do bicho preguiça e edições luxuosas de clássicos universais como a recém- lançada Caixa de Alice e os dois Tomos de Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos foram, pouco-a-pouco, dando forma a uma representação coletiva que passou a associar os produtos lançados pela Cosac como objetos de desejo dignos de espera e que alcançaram lugares de destaque nas bibliotecas dos sonhos de muitos leitores.

Sem falarmos em autores praticamente desconhecidos em nosso país aos quais fomos apresentados, como é o caso do australiano Shaun Tan e que, graças a qualidade literária de suas obras publicadas em edições cuidadosamente produzidas por uma equipe afinada e de alto nível, caíram no gosto dos brasileiros e passaram a habitar o imaginário de nosso repertório leitor.

E ficaríamos por um longo tempo citando todos os títulos do catálogo que encantaram e comoveram tanto pelo texto de qualidade literária indiscutível como projetos gráficos primorosos que – em conjunto – foram mais do que livros infantis, mas um verdadeira homenagem à inteligência da criança brasileira.

Por isso, convidamos nossos leitores a completar esse registro comentando: quais os livros da Cosac fizeram e fazem parte de suas memórias leitoras? Quais aqueles que toda criança deveria conhecer?

Participe com seus comentários, ajude-nos a construir essa memória!

 

 

 

 

 

 

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Denise Guilherme é Mestre em Educação, formadora de professores e consultora na área de projetos de leitura.
Desde cedo, apaixonada por palavras ditas e escritas. Descobriu nos livros um caminho para entender a si mesma e aos outros. E ficou tão encantada com o que viu que decidiu compartilhar com o mundo.

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15 Comentários
  1. Gis Lene05 dez, 2015Responder

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