Desafio A Taba 12 livros em 1 ano – 1ª Roda de Leitura

No dia 01 de fevereiro, às 21h, realizamos a 1ª Roda de Leitura do Desafio A Taba 12 livros em 1 ano.

Como já explicamos nesse post , publicado em dezembro de 2015, “desde que iniciamos as atividades de nosso Clube de Leitores (serviço de assinatura de livros infantis e juvenis), muitos adultos têm demonstrado interesse em conhecer melhor a produção editorial desse segmento e aprender um pouco mais sobre a história do livro para crianças e jovens no Brasil.” Daí surgiu a ideia de lançarmos um desafio no qual todos os meses possamos fazer a leitura compartilhada de um livro que, além de nos aproximar do universo da literatura infantil, também possa contribuir para nossa formação como leitores.

Nossa primeira conversa foi em torno dos livros Contos de Fadas – da Editora Zahar, (edição comentada ou de bolso), que esteve à venda em nossa livraria com um preço promocional. Por ser uma obra de referência nesse gênero, é fácil encontrar as duas versões desse livro em bibliotecas públicas municipais e escolares.

Há vários títulos disponíveis no mercado que abordam o gênero contos de fadas. Escolhemos especialmente esse pela qualidade literária dos textos da coletânea que estão apresentados em sua versão integral, sem cortes ou adaptações e com ilustrações belíssimas. Chamou-nos atenção também a quantidade de notas e comentários de Maria Tatar, que oferecem detalhes importantes sobre as histórias e ampliam nosso conhecimento a respeito desse gênero fundamental na formação de qualquer leitor.

Durante o mês de janeiro, todas as pessoas que fizeram a leitura puderam comentar nesse post suas impressões sobre a obra, iniciando a conversa sobre o livro.

Alguns leitores se inscreveram para participar ao vivo da conversa e seis  foram selecionados: Clara, Daisy, Emily, Kenia, Goreth e Maria Amélia.

No dia 1º de fevereiro, às 21h, ao vivo, fizemos a roda de leitura com a mediação de Denise Guilherme – curadora da Taba,  consultora em projetos de leitura, formadora de professores e professora no Curso de Pós-Graduação Livros, Crianças e Jovens: Teoria, Mediação e Crítica no Instituto Vera Cruz, em São Paulo.

Durante a transmissão, todas as pessoas puderam fazer comentários, perguntas e interagir com os integrantes da roda.

Se você perdeu esse evento, basta apenas clicar sobre o vídeo acima. A transmissão também ficou gravada em nosso canal Youtube.

Em fevereiro, o desafio continua. O livro escolhido é BGA – O Bom Gigante Amigo, de Roald Dahl.

Venha ler com a gente!

 

 




Participe da conversa!
Sandra Ronca disse:

Denise, a versão para Pele de Asno no cinema me encantou também. Foi com Catherine Deneuve, deslumbrante. Acho que é isso mesmo, nessa idade, a gente não via "casar com a filha" como pedofilia. Informação é poder… :)
Cada idade vai ler com as informações e vivencias especificas da época.
Aqui sobre o filme:
https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=Pele+de+Asno+%22Catherine+Deneuve%22

Maria Amelia disse:

Renata Vecina só agora consegui parar pra responder! meu filho tem 2 anos e 5 meses… eu entendo seu receio! deve ser difícil mesmo, porque não dá pra saber como é a ideologia de cada família

Gente a questão da moral, citada na introdução…é um tema muito interessante a se pensar. A "decisão de Charles Perrault acrescentar essa "moral esperada" ao publicar Contos da mamãe Gansa, e pensar que nem sempre essas conclusóes morais se harmonizavam com as histórias nem ofereciam nada além da oportunidade para um comentário social aleatório…". Nos coloca de frente com um discurso que ainda presenciamos e que é preciso ser discutido. Como aquele que é citado por Cecília Bajour em "ouvir nas entrelinhas", sobre a ideia de espetacularizar o ato de ler, ser obrigado a ter respostas pra tudo, onde a leitura é reduzida à leitura para estudo ou leitura livre. Acredito que é preciso pensar nessa eficaz e tão bem vinda impossibilidade de se antecipar o rumo das construções dos sentidos dos textos. Esse receio de deixar zonas ambíguas na interpretação conduz à superproteção por meio de explicações ou da reposição de sentidos ali onde o texto pretendia se calar ou duvidar. Nem todos os silêncios precisam ser preenchidos!

A Taba …adoraria!! enviei mensagem inbox pra vcs!!

Estou terminando o livro.
Me impressiona o quanto as histórias são profundas. É bem diferente quando as ouvimos quando criança e as lemos como adulto.
Estou gostando muito de participar.
Parabéns pela iniciativa, aprendendo muito!

A Taba disse:

Viviane Barros, venha conversar com a gente ao vivo na segunda! Vai ser muito importante ter você contribuindo com a roda!
Um abraço

Estou adorando revisitar alguns contos com um novo olhar, e como "falar dos textos é tb voltar a lê-los", agradeço a iniciativa da Taba de oportunizar essa fala. As notas às histórias são um convite a abrir mais um tanto do olhar…imperdível! Ressalto o quanto as imagens apresentadas são impactantes, destaque para a ilustração de Walter Crane, quando os convivas jogam sapatinhos ("não de vidro", como o texto reforça) para comemorar o casamento de Cinderela. Vamos seguindo na leitura e compartilhando! "Compartilhar obras com outras pessoas é importante pq torna possível beneficiar-se da competência de outros para construir o sentido e obter o prazer de entender mais e melhor os livros" (Teresa Colomer).

Renata Vecina disse:

Eu dou aulas do 6o ano em diante. Eles tem 10, 11 anos. Com certeza muda o nosso filtro, porque nós temos que contemplar vários níveis de proficiência e também de maturidade, diferentes ideologias.

Ano passado uma aluna muito autônoma na leitura e desenvolta em sala de aula estava com problemas, brigando com amigas e se sentindo sozinha. Indiquei para ela um livro q tinha a ver com isso. Depois q já tinha indicado lembrei que tinha um par romântico formado por duas meninas. E o medo q eu fiquei de alguém da família dela vir reclamar na escola que eu "incentivo a homossexualidade"? A menina amou o livro, comentou depois q não tinha problema ter o casal de duas meninas, que isso é normal. Mas eu fiquei apreensiva com um possível feedback negativo dos familiares dela.

Se ela fosse minha filha, indicaria o livro milhões de vezes sem receio nenhum!

Quantos anos seu filho tem?

Maria Amelia disse:

Renata Vecina qual a idade média da sua turma? Acho interessante esse papo, não sou professora e acabo ficando "por fora" dessas questões, pois leio apenas pro meu filho… Ler pro filho dos outros implica em mudar um pouco os parâmetros do "filtro" do que é adequado ou não né? Bjs!

Renata Vecina disse:

Luana Oliveira, sim, acho q a classe da mostras do que podemos abordar. Mas há alguns livros que me parecem mais "certos" para grupos grandes. Por exemplo, aquele livro "Extraordinário", que é uma beleza e trata de questões relativas ao cotidiano de crianças, como Bullying, amizade, respeito à diversidade. São temas super necessários e que não causariam problemas com pai, mãe, às vezes com a própria classe.

Ou talvez isso tudo seja apenas medo meu mesmo… Receio de eles se questionarem sobre problemas q ainda estão muito além da compreensão deles. Às vezes para eles o que a gente acha tão horrível até passa batido. Sei lá.

Acabei a leitura do livro ontem e achei bem interessante. É legal a gente ver como as histórias mudaram nas adaptações da Disney, por exemplo. Minha infância falou mais alto e os meus preferidos foram " A pequena sereia" e "A bela e a fera".

Sobre Rapunzel, nunca tinha ouvido falar que era o nome de um tipo de verdura. Achei demais essa informação.

E, sobre os contos em geral, achei triste constatar o quanto eles davam valor ao dinheiro/ouro e como os finais felizes muitas vezes consistiam nisso.

Por fim, para adultos q se interessam pelos contos de fadas e questões referentes ao feminismo, recomendo o livro " Mulheres que correm com lobos". Nele, a autora seleciona diversos contos sobre o universo feminino, analisando-os sob aspectos do empoderamento das mulheres.

A Taba disse:

Luana Oliveira, Renata Vecina e Maria Amelia, o bom da roda é isso: poder compartilhar as impressões e, mais do que chegar a repostas juntas, o importante, mesmo, é se perguntar.
A conversa está boa demais!

Primeiro gostaria de parabenizar A Taba pela iniciativa da roda de leitura. Adorei a ideia de poder realizar leituras durante o ano e principalmente de poder compartilhar e trocar ideias, assim como no comentário de Renata.
Formei em Pedagogia tem dois anos, então não tenho muita experiência em rodas de leituras, e as vezes tenho essa dificuldade que você comentou, de selecionar histórias que eu gosto mas que possam gerar "problema" na turma. E ao ler os contos lembrei disso também, e penso que assim como Maria Amélia disse, temos que contar para que possamos refletir juntos sobre esssas questões, mas acho que a turma acaba nos dando 'sinais' de qual história é adequada para a turma, para o momento da roda, talvez não seja necessário que a gente apresente todas, mas aquelas que melhor representa o gosto da turma. Bem essa é uma estratégia que uso ao selecionar as histórias que vou contar em minhas turmas.

Voltando ao tema do livro do mês que são os contos, uma colega compartilhou essa curiosidade no Facebook e resolvir vir aqui compartilhar com vocês. É sobre a origem dos contos.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160120_contosfadas_origem_tg?ocid=socialflow_twitter%3FSThisFB

E vamos lá continuar a leitura.

Renata Vecina disse:

Concordo com vc que seria um pontapé para reflexões sobre valores, só me sinto acuada por causa da idade deles. E olha que eu não sou uma pessoa "moralista", mas tem assuntos espinhosos aí. Tenho medo de colocar um " problema" sobre os quais eles ainda não consigam pensar com maturidade. Claro que faz parte da mediação ajudá-los, mas mesmo assim tenho receio.

Mas vamos continuar a leitura! Talvez eu consiga selecionar alguns contos.

Maria Amelia disse:

também estou animada com a roda de leitura, e "devorando" o livro! a Renata Vecina fez comentários interessantes… mas penso que devemos ler os contos tendo em mente os padrões sociais europeus da época – ora, os autores são todos europeus, não é? e, naquele tempo, não se falava em machismo, racismo… mas acho sim que a "moral" dos contos fica um tanto ultrapassada. porém, acredito também na literatura como forma de entretenimento, sem necessidade de lições, de moral da história… podemos encarar os contos como porta de entrada para discussões acerca de valores sociais, morais e éticos.

Renata Vecina disse:

Sou professora do Ensino fundamental II e estou selecionando livros para ler em voz alta diariamente durante as aulas.

No entanto, me pergunto sobre como os alunos reagiriam à leitura de certos contos. O conto da Pele de Asno, por exemplo, é muito cruel em diversos aspectos, por abordar a questão, de certa forma, da pedofilia do pai da menina. No final, isso se relativiza e o pai volta a se dar bem com ela, com um amor casto? Achei horrível. Também achei machista, por dizer que as meninas precisavam apenas de vestidos, na moral da história.

Além disso, nas descrições parece haver apenas aspectos positivos na aparência dela por seguir o padrão estético europeu. Em uma das partes diz-se de que alguns convidados, cada um mais negro que o outro, assustavam as crianças.

No conto "O Pequeno Polegar" também há passagens fortes, não? O abandono dos pais, o fato de o menino planejar a morte das filhas do ogro, de ele enganar e roubar a esposa do ogro que havia sido boa com ele e com os irmãos. Eles voltarem para casa sem questionar os pais sobre os motivos que os levaram a abandoná-los também… E a parte que menciona que o pai não gostava que a mulher falasse demais e o aborrecesse.

Me parece difícil digerir tudo isso, não é? Será que as crianças conseguiriam reelaborar essa história de um modo significativo e proveitoso? Como poderíamos ajudá-las nesse processo?

Fiquei pensando que alguns contos aqui dariam até confusão com alguns pais de alunos. Achei pesado demais, embora eu tenha lido ainda pequena na escola tb, aquela tradução chamada "Contos de Perrault", que continha algumas dessas histórias.

Gosto demais dessa edição comentada e ilustrada publicada pela Zahar! Especialmente porque mantém os textos sem adaptaçõe e as notas da organizadora ampliam a visão sobre essas histórias que, de tão lidas, parece que já conhecemos nos mínimos detalhes.
Ah, e a seleção de imagens!! Demais!
Tem outras incríveis nesse site aqui: http://www.surlalunefairytales.com
Aliás, para quem quiser pesquisar sobre contos de fadas, é um site muito bacana!
Vou seguir a leitura por aqui e nos vamos conversando.

A Taba disse:

E já começamos a conversa!
Venha ver o que Fátima Fonseca – Professora do Centro Universitário Fundação Santo André – comentou sobre suas primeiras leituras do livro desse mês.
Participe! Venha experimentar esse desafio com a gente!

Olá pessoal da Taba! Já havia parabenizado pela iniciativa por outro canal e reforço por aqui. Achei muito legal! Espero conseguir participar de todas as rodas. Já estou lendo o livro (relendo alguns contos).
Queria chamar atenção para a Introdução, escrita pela Maria Tatar, que aborda várias questões importantes em relação aos contos de fadas – o poder dos contos; suas origens; o papel das imagens; a mediação; a questão da moral… enfim… muitos subsídios que para quem quer saber mais sobre essas histórias maravilhosas.
Destaco também o fato do livro apresentar mais de uma versão para dois contos, Chapeuzinho Vermelho, em que há uma versão dos Grimm, uma do Perrault e uma baseada em um conto oral registrado na França; e duas versões para A história dos três ursos. Muito legal!