Contos de aprendiz

Contos de aprendiz

Escrito por: Carlos Drummond de Andrade

Editora: Companhia das Letras

Ano de lançamento: 2012

Resumo

Drummond costuma ser lembrado pela sua produção poética excepcional. O mais comum é conhecermos a obra de um grande poeta por intermédio de textos esparsos, publicados em antologias. Mas o mineiro de Itabira levou gerações de leitores a se relacionar com as obras da forma como foram publicadas originalmente, compostas de textos que se interligam e conferem unidade ao livro de poesia, como é o caso de A rosa do povo e Claro enigma. Como prosador, Drummond costuma ser ofuscado por outros gigantes da literatura, mas quem se dispuser a ler esses Contos de aprendiz certamente irá rever essa postura. São pequenas histórias que tratam da dinâmica vivida provincianamente; fragmentos de situações prosaicas elevados ao poético, tão essenciais para fertilizar o espírito humano. Em “A salvação da alma”, conto de abertura, acompanhamos os tormentos de um adolescente hostil em relação ao grupo de meninos do qual faz parte, e termina por implorar ao irmão mais novo que o humilhe publicamente. Já em “A doida”, nos deparamos com a transformação de um garoto a partir do seu encontro com uma figura que de assustadora tinha apenas a fama, decorrente de seu isolamento e de sua aparência, mas de perto se revela tão frágil como um passarinho abatido. Em “Câmara e cadeia”, somos confrontados com a corrupção política praticada com ousadia pelos vereadores de um pequeno município, mas quando se veem impelidos a enfrentar com bravura a desordem imediata provocada por um homem que emerge da cadeia, localizada no subsolo da câmara, se mostram ineptos e covardes. Cada história se constitui num aprendizado porque resgatam da superfície situações vivenciadas por pessoas comuns, todas tratadas com a devida relevância.

Trecho do livro

“Ele encarava-a, com interesse. Era simplesmente uma velha, jogada num catre preto de solteiro, atrás de uma barricada de móveis. E que pequenininha! O corpo sob a coberta formava uma elevação minúscula. Miúda, escura, desse sujo que o tempo deposita na pele, manchando-a. E parecia ter medo.” (Trecho do conto “A doida”, P. 33)

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