Capitães da areia

Autor(a): Jorge Amado

Editora: Companhia das Letras

Ano de lançamento: 2008

 

Resenha:

Capitães da areia é uma obra precursora, portanto, modelar. É a partir dela que outras narrativas brasileiras que focam em grupos de adolescentes vivendo na marginalidade arriscada são produzidas, como “Cidade de Deus”, de Paulo Lins, e “Querô”, de Plínio Marcos. As crianças  ainda estão na idade dos sonhos, mas já perspectivam a batalha que é vida adulta; por isso conjecturam uns com os outros, ou intimamente, o que cada um “gostaria de ser”. Mas para os garotos que se abrigam num trapiche abandonado na cidade de Salvador, integrantes do grupo liderados pelo herói Pedro Bala, nada é fácil. Sem o respaldo da casa paterna, eles criam um simulacro de família entre eles para exercitar suas afetividades, e se unem para ganhar o que a sociedade lhes nega, os meios necessários para sobreviver e viver dignamente, o que os tornam adultos precoces. Nesse embate, o escritor toma partidos dos desvalidos e tinge com feições românticas a dinâmica em que vivem esses adolescentes, sem poupar o leitor de certas cruezas insuspeitadas por aqueles acostumados com as facilidades da vida burguesa.

 

Trecho do livro:

“– Querem ver uma coisa bonita?
Todos queriam. O sertanejo trepou no carrossel, deu corda na pianola e começou a música de uma valsa antiga. O rosto sombrio de Volta Seca se abria num sorriso. Espiava a pianola, espiava os meninos envoltos em alegria. Escutavam religiosamente aquela música que saía do bojo do carrossel na magia da noite da cidade da Bahia só para os ouvidos aventureiros e pobres dos Capitães da Areia.” (p. 66)

 

Para quem?

exp acom

Para quê?

dificeis emocionar



Participe da conversa!
%d blogueiros gostam disto: