As várias vozes na leitura inicial

antonio mattaO desafio de formar leitores é uma das grandes tarefas da escola.  No entanto, todos sabemos que muitos professores ainda apresentam muitas dificuldades nesse conteúdo. É comum ouvirmos o discurso sobre a necessidade de incentivar o interesse pela leitura em nossos alunos, quando – muitas vezes – esse comportamento não está presente no grupo de educadores da escola.
Diante dessa realidade, comecei um projeto de formação procurando trabalhar a importância da leitura do aluno e também a ampliação dos saberes dos professores sobre esta pratica.
Para discutir o conteúdo nas pautas formativas em nossos horários de estudo, procurei por referências teóricas que pudessem apoiar essa conversa como Delia Lerner, por exemplo.Perguntas como: porque ler para os alunos? O que ler? Qual o papel da escola na formação de leitores? Quais estratégias utilizamos ao realizar uma leitura? O que se aprende ao ouvir a leitura feita em voz alta?, nortearam muitas de nossas discussões. Por meio delas, passamos a discutir os critérios que orientavam a escolha dos textos lidos para os alunos.
Procurando atuar como modelo para meu grupo, em minhas leituras iniciais nas ATPCs sempre procurei deixar claros os motivos que justificavam minhas escolhas, selecionando textos que pudessem ampliar o repertório linguístico, estético e cultural dos meus professores.
Em seguida, convidei-os a escolher seus próprios textos para leitura inicial com os alunos, convidando-os a socializar o material com os demais colegas no horário de estudo coletivo, compartilhando seus critérios. Além de explicitar os motivos daquela leitura, os professores deveriam fazê-la também em voz alta para o grupo,  preocupando-se com aspectos como: entonação, ritmo e dicção , por exemplo. Esse foi um momento de grande aprendizado. Muitos resistiram mas, aos poucos, perceberam que os ganhos com a proposta eram muito maiores do que os medos a serem enfrentados.
Para ampliar, além do repertório de livros, o repertório de modelos leitores, sugeri aos professores o trabalho de “leitura em rodízio” dos textos escolhidos por eles: os mesmos deveriam ser lidos em todas as salas em dias alternados, para que toda a escola se movimentasse neste sentido. Além de estimulá-los a planejar uma boa situação de leitura em voz alta, a ideia de ler o mesmo texto várias vezes também poderia ajudá-los em suas experiências como leitores, ampliando suas competências em relação a esse conteúdo. E mais: as crianças teriam uma gama maior de exemplos de comportamentos leitores, tendo todos os professores da escola atuando em suas salas, fazendo a leitura de textos variados em formas diversas,  transformando – aos poucos – toda a comunidade escolar em uma comunidade leitora.
Para ajudá-los, no início do ano preparei com os professores um calendário (cronograma) de leitura inicial, no qual, em forma de rodízio diário,  todos se organizassem para que o texto planejado para ser lido em sua sala (contos, crônicas, poesias, noticias, lendas e etc.) percorresse as demais ao longo da semana.
Para que este movimento de rotatividade contribuísse com o objetivo de repertoriar professores e alunos com diferentes leituras e modelos leitores, a socialização – nos horários de estudo – dos textos escolhido e lidos tinha que ser priorizada. Primeiro, para o conhecimento dos textos escolhidos. Segundo, para garantir a não repetição das leituras feitas nas varias salas de aulas.Terceiro,  para oferecer um repertório de qualidade aos alunos, levando-os  a apreciar cada vez mais as várias leituras.
Apesar de dificuldades apresentadas no início do trabalho (resistência por parte dos professores, ajustar o conteúdo como pratica diária da escola, acertar o cronograma para que todos se beneficiassem deste, disponibilizar um acervo com bons livros – já que a escola não possui biblioteca – e transformar algo desafiador em prazeroso), hoje os educadores conseguem realizar leituras diversas com mais proficiência e são capazes de fazer boas escolhas em relação aos textos que oferecem aos alunos. Quanto às crianças, além de se mostrarem mais interessadas e receptivas em ler, já demonstram interesse e concentração ao ouvir as historias contadas. Além disso, os livros ganharam a escola e é cada vez mais comum encontrarmos alunos interessados em também compartilhar as obras lidas com os colegas, oferecendo-se para lê-las em voz alta para sua classe. Por isso, posso dizer que a proposta se mostrou eficiente, pois, há um envolvimento de toda comunidade escolar que, aos poucos, começa a valorizar a leitura como uma experiência que merece ser compartilhada.

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Coordenador Pedagógico, formado em Letras, pela UEMG. Pós-graduado em Relações Étnico-Raciais pela UFSJ e Coordenação Escolar (em curso) pela UFSC.

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6 Comentários
  1. Leela Santos22 abr, 2014Responder
  2. Leela Santos22 abr, 2014Responder
  3. Daniele Amadeu03 abr, 2014Responder

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