As aventuras de Pinóquio: história de uma marionete

As aventuras de Pinóquio: história de uma marionete

Escrito por: Carlo Collodi

Ilustrado por: Odilon Moraes

Editora: Companhia das Letrinhas

Ano de lançamento: 2002

Resenha

Antes de tudo, é preciso dizer que As aventuras de Pinóquio ficam muito mais primorosas na tradução de Marina Colasanti. Essa nossa incrível autora de contos de fadas contemporâneos respeita o texto original do italiano, sem, contudo, deixar de aparecer nos vãos do texto, e até nos silêncios, pelo seu modo delicado de olhar o mundo. O pedaço de madeira falante tornado marionete pelas mãos de Gepeto ganha profundidade e, porque não dizer, uma espécie de melancolia nesta tradução. Acompanhamos suas peripécias – criancices de um menino por vir – junto aos conselhos do Grilo-Falante e da Fada de cabelos azuis, que estão sempre prontos a protegê-lo da “burrice” no País dos Brinquedos. São tantas as metáforas utilizadas por Carlo Collodi para falar ao mundo! Publicado pela primeira vez em 1883, este clássico da literatura vem recontando, a cada leitura, o drama da transformação, da autoridade, da lei do sentimento de solidão característico da condição humana. Além das adaptações da Walt Disney, a história de Pinóquio recebe uma excelente releitura no filme A. I. Inteligência Artificial, que pode proporcionar um excelente diálogo com o livro.

Trecho do livro

“Chegando à praia, Pinóquio percorreu logo o mar com o olhar. Mas não viu nenhum Tubarão. O mar estava liso como um grande espelho. — E o Tubarão cadê? – perguntou voltando-se para os companheiros. — Vai ver que saiu para o almoço – respondeu um deles, rindo. — Ou caiu na cama para puxar um ronco – acrescentou outro rindo ainda mais alto. Aquelas respostas desconchavadas e aquelas gargalhadas bobas mostraram a Pinóquio que seus companheiros lhe haviam pregado uma peça de mau gosto, dando-lhe a entender uma coisa que não era verdade. E, ofendido, disse para eles com voz irritada: — E agora? Qual é a graça que vocês acham de terem me enganado com a história do Tubarão?” P. 114