8 informações para ajudar a entender o preço dos livros no Brasil

Você já deixou de comprar um livro porque estava caro? E já imaginou como funciona a distribuição de recursos obtidos a partir da venda de livros dentro da cadeia produtiva do mercado editorial?

Nos inspiramos em um texto da Editora Planeta Tangerina, de Portugal, para explicar um pouco sobre o preço dos livros no Brasil.

As formas de produção, circulação e venda de livros mudaram bastante nos últimos anos e todos os envolvidos no mercado editorial estão em um momento de pensar em novos modelos. Muitas editoras agora vendem também direto para o leitor, por suas lojas virtuais e em feiras como a da USP – onde o desconto mínimo é de 50%. As livrarias de rua estão desaparecendo e o mercado está bastante focado nas grandes redes (como Cultura, Saraiva), nos gigantes virtuais (como a Amazon) e nas grande editoras (como Companhia das Letras, Moderna…). 

Para mostrar aos nossos leitores um pouco sobre como esse mercado funciona, conversamos com alguns donos de editoras e descobrimos que o assunto é complexo e que nesse momento de transição, todos os atores deste mercado estão desbravando novas estratégias para tornar seus produtos mais acessíveis aos leitores, mas também garantir a sustentabilidade da empresa.

Para ajudar a entender o preço dos livros no Brasil, resumimos 8 informações centrais:

1. Os livros têm um preço de capa calculado pela editora. Alguns anos atrás, as livrarias usavam esse preço para venda, pois está ligado ao desconto que ela consegue junto à editora e que garantirá seu ganho. Hoje, muitas oferecem descontos para atrair compradores.

2. O preço do livro é dividido entre direitos autorais (em média 10% a 15%), impressão (em média 10% a 20%), distribuição (em média 40% a 55%) e impostos (por volta de 5%).* O restante é da Editora e deve cobrir custos como edição, revisão, divulgação, transporte e exposição – além das despesas de estrutura.

3. Os autores recebem por direitos autorais. Se o livro tem mais de um autor, como nos casos em que um faz o texto e outro faz a ilustração, a porcentagem destinada aos direitos autorais não costuma subir, mas sim ser dividida. Normalmente, a maior parte fica com quem escreve, mas em casos que as imagens têm grande importância no livro, pode ser dividida igualmente. Os pagamentos podem ser adiantados ou conforme vendas.

4. O custo de impressão é variável – conforme papel utilizado, formato, quantidade de páginas, tipo de impressão, tamanho da tiragem e, especialmente, se o livro é impresso dentro ou fora do país.

5. Muitos livros são impressos na China ou outros países asiáticos. Assim como em outros setores (moda, utensílios domésticos, brinquedos etc.), essas indústrias oferecem preços de produção bastante competitivos. Muitas editoras grandes, que fazem tiragens maiores e possuem mais títulos,  têm feito a impressão fora do país como estratégia de redução de custos.

6. O custo unitário da impressão no Brasil é maior – se comparado à China, por exemplo. Por outro lado, é possível imprimir tiragens menores (como acontece com editoras pequenas, que lançam menos títulos e fazem tiragens entre 100 e 3.000 exemplares). Além disso, imprimir no país colabora com o desenvolvimento interno e evita que gráficas brasileiras deixem de existir.

7. O ganho das livrarias não é só lucro. Pode parecer óbvio, mas não deixa de ser importante: o valor que a livraria recebe com as vendas de livros vai para pagar fornecedores, funcionários, estrutura (aluguel, água, luz, impostos), embalagem, site…

8. No Brasil, livros são isentos de alguns impostos. A indústria editorial tem acesso a matéria prima com menos impostos (caso do papel linha d’água) e algumas isenções fiscais, como PIS e COFINS. O comércio de livros no país também é isento desses impostos, além do ICMS e IPI.

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*As porcentagens podem variar conforme a publicação – as informações apresentadas aqui são médias aproximadas. Contatamos quatro editoras e agradecemos pelo apoio das editoras Pulo do Gato e ÔZé, que gentilmente contribuíram para essa publicação com informações sobre o mercado brasileiro.

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escrito por

Emily Anne Stephano é formada em moda e especialista em jornalismo com foco em mercados de nicho e ambiente digital. Antes de saber ler já adorava passear na biblioteca e encontrou nos livros e cadernos seu primeiro grande amor. Hoje leciona Comunicação e Moda, presta assessoria de comunicação e escreve sobre cultura e universo infantil.

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3 Comentários
  1. Anônimo03 jun, 2018Responder
  2. Anônimo03 jun, 2018Responder
  3. Anônimo02 jun, 2018Responder

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